Páscoa impulsiona renda extra de mulheres na confeitaria, mesmo com chocolate caro
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Mesmo com o aumento no preço do chocolate, a Páscoa continua sendo uma das datas mais lucrativas para mulheres que trabalham ou desejam começar na confeitaria artesanal. A produção de ovos caseiros, muitas vezes iniciada como renda extra, tem se consolidado como porta de entrada para o empreendedorismo feminino e até para novos negócios.
Segundo a chef e professora Graziele Lima, ainda há tempo para quem deseja começar a vender nesta Páscoa — inclusive para quem nunca produziu ovos antes. “Começando com o básico, aprendendo a temperagem do chocolate e fazendo ovos simples, já é possível ter renda extra. Muita gente começa do zero e consegue bons resultados na primeira Páscoa”, afirma.
Data sazonal pode render mais que meses de trabalho
De acordo com a especialista, a Páscoa concentra uma demanda que não se repete em outros períodos do ano. Mesmo pessoas que não costumam comprar doces acabam adquirindo ovos para presentear familiares e amigos, o que amplia significativamente o mercado.
Na prática, o faturamento pode surpreender. “A Páscoa pode representar um ganho muito bom, até melhor que vários meses do ano juntos. Mesmo quem está começando consegue vender para amigos, vizinhos e conhecidos. É uma época em que o esforço realmente vale a pena”, explica.
Esse potencial tem atraído principalmente mulheres que buscam complementar a renda ou iniciar uma atividade profissional. “Nessa época aumenta muito a procura de mulheres querendo aprender. Muitas veem uma oportunidade real de ganhar dinheiro em pouco tempo e despertar o empreendedorismo”, diz.
Chocolate caro exige estratégia para garantir lucro
O aumento no custo dos ingredientes é hoje um dos principais desafios da confeitaria artesanal. Ainda assim, Graziele afirma que é possível lucrar — desde que haja planejamento.
“O segredo é calcular bem os custos, evitar desperdício e definir um preço que valorize o trabalho. Trabalhar por encomenda e pedir um sinal ajuda muito, porque a pessoa compra só o que vai usar e consegue ter mais lucro”, orienta.
A diferença entre quem realmente ganha dinheiro e quem apenas vende sem retorno financeiro está na organização. “Quem lucra entende os tipos de chocolate, produz corretamente, calcula custos e foca em poucos produtos com qualidade. Quem tenta fazer de tudo ou não faz as contas direito acaba vendendo sem ganhar”, alerta.
Primeira Páscoa pode virar profissão
A experiência da professora mostra que a data frequentemente marca o início de trajetórias empreendedoras. “Já vi muitas mulheres que começaram fazendo ovos só para renda extra e depois transformaram em negócio fixo. Algumas começaram na cozinha de casa e hoje vivem da confeitaria”, relata.
A precificação correta é apontada por ela como fator decisivo para a sustentabilidade do negócio. “Muitas vezes a pessoa vende bastante, mas quase não ganha porque não calculou direito. Quando o preço está correto, ela paga custos, tem lucro e principalmente tem o próprio salário”, destaca.
Começar simples é o caminho mais seguro
Para quem deseja iniciar, a recomendação é apostar em produtos fáceis e de boa aceitação. Ovos simples costumam ser mais indicados para iniciantes, enquanto tendências como o ovo brownie podem ser exploradas por quem já tem experiência.

O investimento inicial também pode ser baixo. “Com formas simples, poucos ingredientes e organização já dá para começar. Muita gente usa o que tem em casa e vai crescendo aos poucos, reinvestindo o lucro”, afirma.
“O importante é dar o primeiro passo”
O principal conselho da chef para mulheres que ainda estão em dúvida é começar, mesmo que de forma simples. “Não precisa esperar o momento perfeito. Aprenda a temperagem, comece com poucas opções, divulgue para pessoas próximas e faça tudo com capricho. Muitas vezes a primeira Páscoa é o início de uma renda extra e até de um novo caminho profissional”, incentiva.
Quem é Graziele Lima

Chef confeiteira de Bragança Paulista (SP), Graziele Lima é fundadora do Espaço Gourmet Cursos e já formou mais de 5 mil alunos presenciais em gastronomia.
Começou cedo: aos 8 anos vendia brigadeiros na escola e, aos 16, já produzia ovos de Páscoa para venda, mesmo com poucos recursos. Com capacitação em instituições como Senai, Sesi e Sebrae, transformou a confeitaria em profissão.
Em 2021, teve a trajetória reconhecida pela Nestlé, que entrou em contato após ver suas publicações nas redes sociais. Hoje, dedica-se ao ensino da gastronomia como ferramenta de geração de renda, especialmente para mulheres, defendendo a confeitaria como caminho de autonomia financeira.




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