Campeã mundial de jiu-jitsu aos 15 anos, atleta bragantina fala sobre pressão, disciplina e amadurecimento
- Rafaela Maciel
- há 2 dias
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Aos 15 anos, a bragantina Sthepany Vitória já alcançou um feito que muitos atletas levam uma vida inteira para conquistar. No dia 31 de janeiro, ela se tornou campeã mundial de Jiu-Jitsu NoGi, durante o Campeonato Mundial organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE), realizado no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo — uma das competições mais relevantes do calendário internacional da modalidade.

Apesar do título expressivo e da projeção que a vitória traz, Sthepany faz questão de manter os pés no chão. Fora do tatame, ela se define como uma adolescente comum: estuda, convive com a família, gosta de ouvir música, descansar e estar perto de pessoas queridas. “O treino ocupa boa parte da minha rotina, mas esses momentos fora dele são importantes para manter o equilíbrio e a cabeça no lugar”, conta.
O jiu-jitsu, no entanto, deixou de ser apenas uma atividade extracurricular quando o compromisso falou mais alto. Segundo a atleta, a virada de chave aconteceu quando entendeu que evoluir exigia dedicação diária e organização. “Passei a estruturar minha rotina em função do esporte e a levar tudo mais a sério”, explica.
Ao perceber que havia conquistado o título mundial, a reação foi menos de euforia e mais de reflexão. “Veio um sentimento de alívio e gratidão. Pensei em todo o processo, nos treinos difíceis e nas pessoas que me ajudaram a chegar ali. Foi mais uma sensação de dever cumprido”, relembra.
A caminhada até o topo, porém, não foi isenta de desafios emocionais. A pressão e a autocobrança fizeram parte do processo, especialmente pela pouca idade. “Às vezes bate insegurança, mas aprendi a focar no que eu posso controlar: treinar bem e seguir o plano”, afirma, demonstrando uma maturidade que vai além da idade.

Em um esporte historicamente marcado pela presença masculina, Sthepany reconhece que ser mulher também traz desafios extras — e responsabilidades. “Às vezes parece que precisamos provar mais, mas isso me motiva. O respeito vem com consistência e resultado”, diz.
Momentos de cansaço e dúvida também surgiram ao longo da trajetória, mas não foram suficientes para fazê-la desistir. O apoio da família, dos professores e da equipe foi decisivo. “Ninguém conquista algo assim sozinho”, reforça.
A atleta integra a equipe da Águia Jiu-Jitsu School, tradicional academia de Bragança Paulista, e é beneficiária do Programa Bolsa Atleta, iniciativa da Prefeitura que incentiva o esporte de rendimento. Para Sthepany, esse suporte foi essencial para seguir treinando e competindo em alto nível.
Conciliar escola, treinos intensos e vida pessoal exige organização e escolhas. “O mais difícil é o tempo, mas entendo que essa fase exige prioridade. A escola continua sendo importante, assim como o descanso”, pontua.
Após a conquista mundial, o sentimento predominante é de responsabilidade. “A confiança aumenta, mas também a consciência de que preciso continuar trabalhando. O título já passou, a evolução não pode parar”, afirma.

O futuro, para ela, segue em construção. Sthepany sonha em continuar competindo em alto nível, ganhar experiência e crescer não apenas como atleta, mas como pessoa. “Daqui a alguns anos, me imagino com uma carreira mais estruturada, representando bem minha equipe e buscando novos desafios”, conclui.
Uma história que reforça que, por trás das medalhas, existem disciplina, apoio, escolhas difíceis — e uma adolescente que segue construindo seu caminho com foco e sensibilidade.




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